Nômade, 1999
Tecido, espuma, plástico, nylon e pva sobre madeira
Acervo MNBA/IBRAM
Com Nômade, Monica Barki inscreve uma paisagem de inquietação: corpos em movimento, territórios que se desfazem, abrigos que já não protegem. A obra sussurra o que já está anunciado — povos inteiros forçados a caminhar, seja nas margens da Amazônia devastada pelo garimpo, seja nas cidades brasileiras soterradas pela chuva. O nomadismo, que em tempos ancestrais foi escolha cultural e modo de vida, ressurge como condição imposta por um planeta em colapso. Em Nômade, o deslocamento deixa de ser metáfora para se tornar realidade: exílio, desapossamento, errância forçada. Seus fragmentos visuais funcionam como alerta silencioso, devolvendo a pergunta urgente: seremos, mais uma vez, nômades de nossa própria terra?
Nomad, 1999
Fabric, foam, plastic, nylon, and PVA on wood
MNBA/IBRAM Collection
With Nomad, Monica Barki depicts a landscape of unrest: bodies in motion, territories falling apart, shelters that no longer protect. The work whispers what is already known—entire populations forced to walk, whether on the banks of the Amazon devastated by mining or in Brazilian cities buried by rain. Nomadism, which in ancient times was a cultural choice and way of life, resurfaces as a condition imposed by a planet in collapse. In Nomad, displacement ceases to be a metaphor and becomes reality: exile, dispossession, forced wandering. Its visual fragments serve as a silent warning, posing the urgent question: will we once again be nomads in our own land?