Instabile, 1993
Acrílica sobre tela Acervo
MNBA/IBRAM
Instabile, do artista paraense Emmanuel Nassar, apresenta-se como uma engrenagem precária, evocando o mastro quebrado de uma embarcação. Roldanas, fios e estiramentos parecem prestes a se romper na tentativa de reunir a letra E — Emmanuel, east, leste — que pende como corpo suspenso, ao encontro da letra N — Nassar, north, norte — gravada no centro da roldana, funcionando como âncora, direção, bússola. Essa “trapizonga” vive em estado de tensão permanente, diferindo do dinamismo fluido dos móbiles e stabiles de Alexander Calder. Se Calder explorava o equilíbrio móvel das formas, Nassar aposta na fricção, no atrito e no quase-colapso, tensionando os limites da pintura em direção às suas margens mais instáveis. Nesse jogo divergente, Instabile converte-se em metáfora da própria condição humana: corpos suspensos que oscilam entre resistências e quedas, em busca de um ponto de equilíbrio sempre provisório, sempre incerto. Talvez a obra nos devolva a pergunta fundamental: qual a direção — ou indeterminação — do nosso destino?
Instabile, 1993
Acrylic on canvas Collection
MNBA/IBRAM
Instabile, by Pará artist Emmanuel Nassar, presents itself as a precarious mechanism, evoking the broken mast of a ship. Pulleys, wires, and tension seem about to break in an attempt to bring together the letter E—Emmanuel, east—which hangs like a suspended body, meeting the letter N—Nassar, north—engraved in the center of the pulley, functioning as an anchor, direction, compass. This “trapizonga” lives in a state of permanent tension, differing from the fluid dynamism of Alexander Calder’s mobiles and stabiles. If Calder explored the mobile balance of forms, Nassar focuses on friction, attrition, and near-collapse, stretching the limits of painting toward its most unstable margins. In this divergent game, Instabile becomes a metaphor for the human condition itself: suspended bodies that oscillate between resistance and falling, in search of a point of balance that is always provisional, always uncertain. Perhaps the work brings us back to the fundamental question: what is the direction—or indeterminacy—of our destiny?