A Libertação do Cadeado, after Waltercio Caldas e Chema Madoz, da série Imagens Improváveis, circa 2025
Fotografia
Acervo MNBA/IBRAM
A obra do fotógrafo e professor Fernando de Tacca articula camadas de leitura, imagens e conceitos que se abrem como chaves para outras obras. O título, A Libertação do Cadeado, after Waltercio Caldas e Chema Madoz, já indica o campo de referências. Um cadeado serve para fechar, nunca para abrir. Mas aqui, ele aparece aberto, destituído de função, instaurando a crise entre liberdade e segurança. Na sequência fotográfica, o gelo que sustenta o objeto se dissolve e, ao desaparecer, desfaz também a última fronteira frente à arbitrariedade do cadeado. É impossível não associar essa imagem ao aquecimento global: em nome de uma ideia de liberdade, derretem-se massas de gelo polares essenciais ao equilíbrio ambiental. O título ainda convoca diálogos. Waltercio Caldas, em Dado de Gelo (1976), explorava a transitoriedade da matéria e sua potência como dado conceitual. Chema Madoz, na fotografia Pai, não podemos passear mais um bocado? É que o dinheiro que demos ao arrumador ainda dá para mais tempo, também faz do gelo narrativa poética sobre tempo, valor e afeto. Entre essas ressonâncias, Tacca reinscreve a tensão do efêmero como metáfora expandida: um jogo de chaves, fechaduras e liberdades, em que não há respostas, apenas sugestões que alargam o olhar.
The Liberation of the Padlock, after Waltercio Caldas and Chema Madoz, circa 2025
Photo
MNBA/IBRAM Collection
The work of photographer and professor Fernando de Tacca unfolds through layers of reading, imagery, and concepts that open like keys to other works.
The title, The Liberation of the Padlock, already reveals its field of references. A padlock is made to close, never to open — yet here it appears unlocked, stripped of its function, creating a tension between freedom and security.
In the photographic sequence, the ice that supports the padlock gradually melts. As it vanishes, it also dissolves the last barrier against the arbitrariness of the lock itself.
It is impossible not to relate this image to global warming: in the name of an idea of freedom, we melt away polar ice masses essential to the planet’s balance.
The title also invites dialogue. In Ice Dice (1976), Waltercio Caldas explored the transience of matter and its conceptual potency. Chema Madoz, in his photograph Father, can’t we walk a bit longer? The money we gave the attendant still covers more time, also used ice as a poetic metaphor for time, value, and affection.
Among these resonances, Tacca reinscribes the tension of the ephemeral as an expanded metaphor — a game of keys, locks, and freedoms, where there are no answers, only suggestions that broaden our gaze.