1938

VERA CHAVES BARCELLOS

Em Busca da Cabeça, em Busca do Coração, 1987

Instalação/técnica mista

Acervo MNBA/IBRAM

Vera Chaves Barcellos iniciou sua trajetória pela pintura e pela gravura, mas cedo abriu caminho para o conceitualismo, vertente que marcaria decisivamente sua obra. O contato, na década de 1970, com artistas como Anna Bella Geiger e Cildo Meireles, no Rio de Janeiro, foi determinante, assim como a criação, no sul do Brasil, do Grupo Nervo Óptico (1976–78) e do Espaço N.O. (1979–82). Tanto o coletivo quanto o espaço experimental discutiam questões centrais do debate internacional da arte e, mesmo em âmbito regional, sinalizaram uma mudança decisiva nos padrões estéticos vigentes. Em 1976, na exposição Atividades Continuadas, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), Barcellos assinou com outros artistas um manifesto que criticava diretamente o mercado de arte, apontando o desejo de reposicionar a prática artística frente às estruturas institucionais. Na produção dos anos 1970, a artista recorreu à fotografia, à serialidade e à criação coletiva, afirmando a circulação de ideias e a colaboração como eixos centrais da arte contemporânea. Sua poética permanece aberta e híbrida: fotografia, instalação, arte postal, livro de artista, vídeo e participação do público compõem um campo de deslocamentos e associações. Essa postura crítica também se projeta em diálogo com a história da arte brasileira, como em Em Busca da Cabeça, em Busca do Coração, obra integrante da mostra coletiva e itinerante Missões 300 anos: A Visão do Artista. Nela, uma imagem de motivo religioso é fragmentada, manipulada e repetida, retomando simbolicamente a prática colonial em que indígenas eram forçados a copiar imagens barrocas trazidas pelos jesuítas. Considerada paradigmática, a obra inaugura uma longa série de instalações e funciona como uma “viagem ao tempo”, revelando a violência cultural e a persistência histórica de processos de deformação e apropriação.

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Audiodescrição

In Search of the Head, In Search of the Heart, 1987

Installation/mixed media

MNBA/IBRAM Collection

Vera Chaves Barcellos began her career in painting and printmaking, but soon paved the way for conceptualism, a trend that would decisively mark her work. Her contact in the 1970s with artists such as Anna Bella Geiger and Cildo Meireles in Rio de Janeiro was decisive, as was the creation in southern Brazil of the Grupo Nervo Óptico (1976–78) and Espaço N.O. (1979–82). Both the collective and the experimental space discussed central issues in the international art debate and, even at the regional level, signaled a decisive change in prevailing aesthetic standards. In 1976, at the exhibition Atividades Continuadas (Continued Activities) at the Rio Grande do Sul Art Museum (MARGS), Barcellos signed a manifesto with other artists that directly criticized the art market, pointing to the desire to reposition artistic practice in relation to institutional structures. In her work from the 1970s, the artist resorted to photography, seriality, and collective creation, affirming the circulation of ideas and collaboration as central axes of contemporary art. Her poetics remain open and hybrid: photography, installation, mail art, artist’s books, video, and audience participation make up a field of displacements and associations. This critical stance also projects itself in dialogue with the history of Brazilian art, as in Em Busca da Cabeça, em Busca do Coração (In Search of the Head, In Search of the Heart), a work that is part of the collective and traveling exhibition Missões 300 anos: A Visão do Artista (Missions 300 Years: The Artist’s Vision). In it, an image of religious motif is fragmented, manipulated, and repeated, symbolically revisiting the colonial practice in which indigenous people were forced to copy Baroque images brought by the Jesuits. Considered paradigmatic, the work inaugurates a long series of installations and functions as a “journey through time,” revealing cultural violence and the historical persistence of processes of deformation and appropriation.

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